Descomplicando a Introdução Alimentar

Introdução Alimentar exige paciência e força de vontade.

Esse post é um relato da minha experiência com a Introdução Alimentar de Papinhas Salgadas com meu filho mais novo, o Yuri (Luli), hoje com 2 anos de idade, além de um apanhado de dicas para as mamães descomplicarem essa tarefa, que deve ser prazerosa, tanto para o bebê como para os pais e/ou cuidadores.

 

Assim como foi com a irmã dele, a Marina (Nina), com 5 anos de idade, os dois sempre aceitaram muito bem as novidades oferecidas.

 

Acho muito importante respeitarmos a individualidade e o tempo de cada criança. No meu ponto de vista, o Luli evolui muito rápido no quesito alimentação, mas existem bebês que demoram mais para aceitar e sentir prazer nesse momento. Se você perceber que está causando estresse para o bebê, pare e tente na próxima refeição ou no dia seguinte. A introdução alimentar é um processo, e como tal, passa por etapas, além de exigir paciência, que muitas vezes não temos sobrando.

 

Passado um mês da introdução das frutinhas, iniciei a oferta do almoço. Existem estudos recentes que demonstram que não há prejuízo para o bebê em ofertar ampla variedade de legumes, verduras, grãos, cereais e proteínas logo no início da introdução alimentar. Como eu acredito muito que, quanto maior a variedade, menor a probabilidade de rejeição de alimentos no decorrer do tempo, segui essa linha. A pediatra das crianças acredita nisso também, mas existem profissionais que preferem seguir a linha mais tradicional, então, avalie e converse com o profissional de sua confiança para tomar uma decisão.

Eu iniciei por uns cinco dias com papinhas vegetarianas feitas com legumes mais adocicados (cenoura, beterraba, mandioquinha, abóbora, batata doce, abobrinha), para que o Luli se acostumasse com o novo sabor, mas não sentisse uma diferença tão grande do sabor das frutas, que vinha comendo até então. Comecei com dois legumes e fui acrescendo um a mais a cada dia. Usei desde o início muitos temperos frescos – cebola, alho, gengibre, tomilho, alecrim, salsinha, cebolinha, salsão… o sal é dispensável, o bebê ainda não tem paladar para sentir falta disso, mas, quando eu experimentava a papinha e achava que estava muito sonsa (foram pouquíssimas as situações), colocava um cheirinho para realçar o sabor. Mas é um cheirinho mesmo! Muito pouco.

Até o Luli iniciar o período integral na escolinha ele fez as refeições em casa e, para não cozinhar todos os dias, adotei o método de congelar as comidinhas em forminhas de gelo. Eu aprendi esse método com a Tammy, do Primeiras Colheradas (veja informações detalhadas no post do blog dela), e funcionou muito bem!

 

O método consiste em cozinhar diversos alimentos separadamente, congelar em forminhas de gelo e, no momento de ofertar a comida para o bebê, juntar diversos cubinhos diferentes, gerando a possibilidade de uma variedade enorme de combinações. O que eu fiz diferente da Tammy foi a questão de separar um dia específico para cozinhar. O que eu fazia era, no momento de preparar a refeição da família, já via o que poderia ser oferecido para o Luli também e, antes de temperar com sal e outros temperos que ainda não ofereço para ele, separava as porções para congelar os cubinhos. Então, de início, não fui pela linha de passar uma manhã inteira na cozinha preparando comidinhas.

Na foto abaixo vocês conseguem visualizar melhor como funciona. Montei esses potinhos para a viagem que fizemos no final do ano para a praia, quando o Luli já almoçava. Levei cada potinho com uns 5 – 6 cubinhos de preparações diferentes. Ou seja, não repetiu a refeição em nenhum dia.

 

Tem pessoas que não conseguem se organizar dessa forma, mas para mim funcionou muito bem!

Se vocês lerem o post sobre a introdução alimentar da Nina, verão que o negócio era bem mais complexo…rs. Vivendo e aprendendo né gente? Mas, para algumas pessoas, o método que usei com a Nina pode ser mais eficiente.

 

Quando a criança faz a maior parte das refeições na escola, e é necessário ter algumas opções somente para dar aquela ajuda em dias corridos, existem algumas alternativas.

Quando nossa refeição fica pronta, já monto potinhos em camadas com o que é apropriado para ele para congelar, e só complemento com o que falta na hora de servir. Os potinhos da foto abaixo foram congelados com feijão com inhame, arroz e quiabo refogado. Para servir eu acrescentava uma proteína e mais algum legume e folha verde. Quando não tinha, foi ela sozinha mesmo, que já é uma opção bem nutriviva para dias corridos.

Faço muita sopa e caldos aqui em casa e sempre separo porções, bato no mixer para ficar um creminho, e quando vou servir acrescento uma proteína e outros legumes, se tiver em casa. Costumo também substituir o carboidrato desses creminhos por quinoa em flocos, aveia em flocos ou farelo de aveia, que acrescento na hora de servir. Fica grossinho e aumenta o valor nutritivo, além de variar a opção do arroz.

 

Na foto estão os ingredientes que usei para fazer um creme de abóbora japonesa – cebola, alho, gengibre, tomilho e a abóbora. Refogo tudo com azeite, cubro com água e deixo cozinhar bem. Depois só bato com o mixer. Mais uma opção para a família inteira.

 

E  outra alternativa é a tradicional, de tirar um dia para cozinhar e fazer comidinhas. O que muda da época da Nina é que não faço mais coisas específicas para o Luli, mas algumas preparações para a família inteira. E aí monto potinhos com opções variadas, para a família toda. Nesse dia eu fiz feijão com inhame, arroz integral, arroz com quinoa, frango desfiado, carne moída, berinjela refogada, chuchu refogado, couve refogada, purê de inhame e cenoura, brócolis e couve flor cozidos, sopa de legumes com frango. Foi meio dia de um domingo na cozinha, mas rendeu 27 porções de comidinhas para o Luli e a Nina, e ainda algumas porções para mim e meu marido. Valeu a pena!

 

Para montar as combinações eu sigo o racional de : 1 cereal (arroz, quinoa, aveia, logo incluirei também o macarrão), 1 grão (lentilha, feijão branco, feijão carioca, feijão preto, grão de bico, ervilha, milho), 1 proteína (carne, frango, peixe, e logo também entrará o ovo), 2 legumes vermelhos ou verdes (cenoura, abobrinha, chuchu, quiabo, beterraba, vagem…), 1 legume amarelo (mandioquinha, batata, batata doce, abóbora, inhame…), 1 folha verde (couve, alface, agrião, rúcula, espinafre, acelga, almeirão…).

Em relação à textura, iniciei com purês batidos no mixer bem lisinhos, sem pedacinhos mesmo. Para mim é uma coisa de cada vez. Primeiro sabor, depois textura. De verdade, não acho necessário já, logo nas primeiras refeições, criar expectativa de que o bebê irá comer comida amassada ou em pedacinhos. É claro que muitos aceitam, e pode ser que o Luli tivesse aceitado, mas me senti mais segura assim.

Aos poucos, quando vi que ele estava aceitando bem o purê, fui começando a amassar até ficar uma papinha grossa, depois menos, deixando pedacinhos.

Sobre o armazenamento, eu armazeno qualquer comida pronta aqui em casa, por até três dias na geladeira e no freezer por até três meses. Para descongelar, o ideal é deixar descongelar naturalmente na geladeira ou em banho maria. Só que a facilidade de ter a comidinha congelada é exatamente para os dias em que tudo está mega corrido. Então, em muitas vezes eu descongelo no micro-ondas mesmo. Falam muito sobre a perda de vitaminas, nutrientes, etc. É claro que se você pode fazer comida fresca todos os dias, essa é a melhor opção. Não é o meu caso, então, dentro das minhas possibilidades e da minha realidade, sei que estou oferecendo o melhor que posso para minha família.

Espero que tenham gostado das dicas e que elas ajudem a descomplicar essa fase deliciosa de novas cores e sabores!

Beijos

Mari




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