Estar de Férias pode significar não fazer nada!

Pode até parecer estranho, mas as férias foram feitas para descansar e desligar!

Cansei -MESMO- do repeteco das chamadas de telejornais, revistas e sites em janeiro e julho:

O que fazer com as crianças nas férias?

Gente, na verdade não precisa fazer nada, né?

 

Por definição, essa é a:

Época de repouso após um ano de trabalho”.

Dias que se destinam ao descanso dos estudantes.

Interrupção das atividades de uma empresa, instituição etc.

[Figurado] Tempo de descanso: a mudança da rotina cotidiana que ajuda a restaurar a disposição das pessoas chama-se férias.”

 

 

Para quem realmente não sabe nem por onde começar a descansar com os filhos, uma dica: quando meus meninos eram pequenos, a gente parava, às vezes, no final da tarde ou começo da noite (hora da volta do trabalho e da escola), nos deitávamos no sofá ou no tapete, sem TV ou som ligado, e ficamos jogados, olhando para o teto. Sem fazer nada, só olhando e esvaziando a mente. Em 5 minutos surgiam uma conversa, histórias do dia ou alguma piadinha, que esticavam o tempo de preguiça, nos dando um descanso merecido.

Até hoje, às vezes, a gente se olha e diz:

Vamos fazer nada juntos?”

Com a pequena, nascida já no tempo dos tablets e Netflix, parece que nunca tem um momento de pausa natural porque tudo está sempre disponível e pronto para funcionar no mundo personalizado da recreação infantil dela. Não tem uma hora certa para o desenho favorito, toda hora pode ser hora e dizer não é realmente um peso que cabe unicamente a mim. Digo não e, como fazia um amigo meu, exerço controle parental: guardo os equipamentos.

Mas não adianta só guardar os iPads dos filhos. Os celulares da gente tem que ter um tempo de repouso também. Aqui em casa temos uma lata de biscoitos engraçadinha, que apita quando alguém abre. Há anos é nosso recipiente de smartphones, do PSP, iPod, o das coisas que combinamos que devemos abrir mão para estarmos juntos e desligados das telinhas.

Ai você me pergunta, isto funciona? Funciona sim, e muito bem, garante conversas para os longos jantares e o tempo de “fazer nada juntos” com olho no olho. Mas os pais precisam cumprir sua parte e entrar na mesma regra dos filhos. Não dá para ter dois pesos e duas medidas. Se faz mal para eles, faz mal para nós!

 

O mesmo vale para o vazio de uma agenda cheia de atividades de lazer.

Quando ouço as reportagens cheias de “atrações imperdíveis” e gente que cansa mais no final de semana do que nos dias de trabalho, fica claro que os adultos não sabem o que é ficar em casa, sem fazer nada e ser feliz com um pouco de ócio! E que uma terapia ajudaria a pensar no vazio (emocional, espiritual, psicológico?) que estão tentando preencher com tanta coisa externa.

Taí algo para pensar e para aproveitar essas férias e começar a mudar!

 

P.S. Este jeito de viver, que adoto em quase duas décadas como mãe, tem inspiração no slow kids ou slow parenting, ideia defendida pelo escritor e jornalista Carl Honoré, autor de dois livros que dão base para o movimento, que indico para quem quer saber mais: “The Power of Slow” e “Under Pressure” depois volto com um outro post para explicar mais sobre este assunto.

 

E então, viram como dá para descomplicar o que nem é tão complicado?

“Nadizar”é muito bom, quando feito com quem amamos é melhor ainda!

 

Assinatura: Quarentona assumida, Sam (@samegui) é mãe de Enzo (17), Giorgio (14) e de Manuela (4). Jornalista e empreendedora, desde 2005 é blogueira, fundou o grupo Mães (e pais) com filhos e articula o movimento #pequenosleitores. Uso de tecnologias para o bem social e sustentabilidade, educação e saúde da família, além dos desafios dos pais de adolescentes são seus assuntos frequentes. Acompanhe-a também no blog Mãe com filhos.

 




Comments (1)
  1. Claudia Marini Leonardi Reply

    Sam, adorei seu post!
    Confesso que preciso aprender muito “nadizar”, pois sou muito ligada no 220!
    Bjs
    Claudia


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