Introdução alimentar de frutas: mitos e verdades

A introdução alimentar é um momento fascinante e de muitas descobertas para os pais e para o bebê. Mas também é um momento de muitas dúvidas e insegurança, principalmente no que diz respeito à variedade e tipos de alimentos que podem ser oferecidos. Hoje, vamos falar um pouquinho sobre a introdução de frutas na alimentação do bebê.

O Brasil possui uma variedade imensa de frutas, e talvez por isso, os pais fiquem com tantas dúvidas sobre qual fruta oferecer primeiro, qual forma, restrições etc. Por isso, mostraremos aqui dois métodos que podem ser utilizados na apresentação dos alimentos ao bebê:

  • introdução alimentar responsiva (preconizado pela Organização Mundial da Saúde – OMS), onde a criança participa da refeição, e por isso, deve-se respeitar o seu mecanismo de saciedade, nunca obrigando a ingestão do alimento. Isso independe do método;
  • método BLW (Baby – ledWeaning ou Desmame Guiado pelo Bebê, em inglês).

O método escolhido deve ser feito pela família em conjunto com o pediatra e o nutricionista, sempre respeitando a dinâmica familiar.

Todas as frutas podem ser oferecidas na introdução alimentar!

A partir dos seis meses, a criança pode consumir qualquer fruta. Não há regra! O ideal é oferecer frutas orgânicas, por serem mais saudáveis e não conterem agrotóxicos. Quando isso não for possível, preferira as frutas da estação, pois são as mais disponíveis e possuem menos agrotóxicos, além de serem mais baratas e saborosas.

Como devo oferecer as frutas ao meu bebê?

De acordo com o método BLW, as frutas devem ser cortadas em formato de hastes ou palitos grossos, to tamanho do punho fechado do seu bebê (veja imagem abaixo). Isso porque a criança ainda não é capaz de pegar o alimento em forma de pinça (movimento polegar e indicador), mas pega com a mão cheia. Conforme a criança cresce e o movimento de pinça se desenvolve, o formato que é oferecido pode ser menor.

Se a criança ainda não possui dentinhos, a fruta pode ser oferecida com uma parte da casca para ajudar o bebê a segurá-la. Como na imagem abaixo:

As frutas devem ser oferecidas inteiras e descascadas, sem sementes ou caroços, isso permite uma experiência melhor com a fruta. O bebê pode não conseguir pegar a fruta toda (por ser grande), mas com certeza irá provar! Tente dessa forma com a melancia, melão e manga.

Outra forma de oferecer a fruta, é contando-as em formato de “U”, em torno de 3 cm maior que o tamanho do punho do bebê. Você pode fazer esse corte em pêssego, ameixa, abacate e mamão.

Na introdução alimentar responsiva, a fruta é oferecida amassada com uma colher. E nunca peneirada ou batida no liquidificador. Veja o que diz a OMS: “as frutas in natura, preferencialmente sob a forma de papa, devem ser oferecidas nesta idade, amassadas, sempre em colheradas, ou espremidas”. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reforça esta recomendação: “a papa deve ser amassada, sem peneirar ou liquidificar, para que sejam aproveitadas as fibras dos alimentos e fique na consistência de purê”.

Posso oferecer sucos? 

A recomendação é que sucos sejam evitados, pois possuem alto índice glicêmico e grande perda da quantidade de fibras existentes na fruta. Quando oferecidos, os sucos devem ser ofertados ao bebê num copo, de preferência após as refeições principais (e não em substituição a estas), em dose máxima de 100 ml por dia com a finalidade de melhorar a absorção do ferro não heme presente nos alimentos como feijão e folhas verde-escuras.

Diga SIM às frutas ácidas!

Existe um mito em torno da oferta de frutas ácidas ao bebê. O que é completamente errado, pois a criança deve ter contato com todos os tipos de sabores, inclusive o azedo. Frutas como laranja (exceto a Lima) e abacaxi podem ser oferecidas. O equilíbrio é importante, por isso, procure mesclar frutas mais doces com frutas mais azedinhas!

Existe fruta proibida?

Nenhuma fruta é contraindicada! A SBP diz: “o tipo de fruta a ser oferecida terá de respeitar características regionais, custo, estação do ano e presença de fibras, lembrando que nenhuma fruta é contraindicada”.

Cuidados principais ao oferecer frutas à criança

Alguns cuidados devem ser tomados para garantir a segurança do bebê ao consumir frutas:

  • Tirar sementes e caroços;
  • Tirar a casca (quando a casca for grossa e não comestível): se a criança já possui dentinhos pode começar a rasgar a casca;
  • Evitar o formato circular: Esse formato deve ser evitado, pois pode obstruir a via aérea (que possui formato arredondado e diâmetro de uma moeda de 1 real, aproximadamente) da criança e levar ao engasgo. Alimentos como uva e tomate cereja devem ser cortadas longitudinalmente, sempre em quatro (veja imagem abaixo):

Lembre-se equilíbrio e variedade são fundamentais na introdução alimentar da criança. Discuta esse assunto com seu pediatra ou nutricionista, para fazer com que este momento seja especial para toda a família 🙂

 

Texto adaptado publicado em:  Pediatria Descomplicada, por Dra. Kelly Oliveira




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