Mindfulness em família

Por Fabiana Saes – Rede Conectta

Criar um filho exige grande dedicação e um arsenal de recursos, do nascimento até a idade adulta, por isso a maternidade e a paternidade são fonte inesgotáveis de estresse.

Além disso, os pais são confrontados diariamente com a imagem idealizada da maternidade e paternidade que construiriam ao longo de sua trajetória, o que leva muitos pais a terem sentimentos de culpa e inadequação quando sentem que falharam frente aos seus altos padrões de exigências irreais.

O primeiro passo para introduzir mindfulness para as crianças, é o reconhecimento e a aceitação dos pais de que a maternidade e a paternidade exigem muito e são estressantes, mas é possível enfrentar com autocompaixão. A pergunta deve ser: Qual a melhor forma de eu cuidar de mim mesmo? Ao invés de “O que estou fazendo de errado como mãe/pai?” (Bögels,S. & Restifo, K., 2015)

Uma forma possível para os pais se tratarem com carinho é desacelerar o ritmo e desligar o piloto automático. Desacelerar a vida em geral parece ser um tema bastante discutido recentemente, o que é algo simples e de extrema importância para os pais.

Quando diminuímos o ritmo, abrandamos as coisas, então ao recuar e observar as próprias reações é possível ter uma nova perspectiva e reestruturar efetivamente rotinas da família.

Definir rotinas que duram poucos minutos por dia como fechar os olhos e notar a sua respiração, seus pensamentos, suas emoções e sensações do corpo, com bondade e curiosidade, tem um grande impacto em toda a família.

Há ciência para mostrar que respirar profundamente e ficar calmo quando os filhos estão em um momento difícil realmente causa mudanças positivas no cérebro.

 

Para Daniel Siegel e Tina Bryson (2011), os pais podem moldar diretamente o crescimento do cérebro dos filhos conforme as experiências que oferecem e sugerem 12 estratégias eficazes para ajudar os filhos nessa experiência.

Dentre as estratégias sugiro duas estratégias que introduzem o mindfulness para as crianças:

  1. EXAMINAR: a indicação é para que os pais ajudem os filhos a desenvolverem a consciência falando sobre seus mundos internos. Pode-se fazer perguntas para que percebam sensações corporais como por exemplo: “você está com fome?”, perguntas que despertam a consciência das imagens mentais como por exemplo: “o que você imagina quando pensa na casa da vovó?”, perguntas sobre sentimentos como por exemplo: “como se sente quando perde o jogo?” e também perguntas sobre seus pensamentos como: “o que você acha que acontecerá amanhã na escola?”.

 

  1. EXERCITAR A VISÃO MENTAL: esta estratégia ensina as crianças a se acalmarem sozinhas e a focarem a atenção onde quiserem. Peça seu filho para que ele se deite de costas e coloque um brinquedo, bichinho de pelúcia que ele goste em cima da barriga dele. Mostre-lhe como respirar lenta e profundamente faz o brinquedo subir e descer. Deixe-o experimentar a sensação de ficar parado, quieto e tranquilo.

 

“A natureza de uma criança é brincadeira, então deixe-a brincar! A sua natureza era brincadeira, mas você deixou de brincar e a perdeu! Meditação em sua essência é brincadeira. Esta brincadeira já é a técnica para toda criança, não interfira nesse brincar. Apenas conecte com a criança que existe dentro de você.” Siddhartha

Proporcione momentos lúdicos em família, com atenção plena pois estar presente no momento é fundamental para experimentar a vida ao máximo.

A prática de mindfulness em família também proporciona maior interação entre pais, filhos e irmãos. Aproveite todas as oportunidades durante a rotina diária para implementar doses de atenção plena, veja algumas sugestões:

  • Refeições: Durante as refeições peça ao seu filho para observar as características do alimento (talvez até ajudando no preparo e observando as diferenças entre o alimento cru e cozido), cores, aromas, sabor e mastigação.
  • Banho: Peça que seu filho ao tomar banho perceba todas as sensações da água, shampoo, sabonete em seu corpo.
  • Conflitos entre irmãos: Boa oportunidade para usar o jogo de “examinar”.
  • Diversão: Inclua brincadeiras como “mímica” e “telefone sem fio”.

Texto publicado em: Conectta




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