Sobre ser dona de casa e mãe

Shirley Schneider. @playtime_with_lucca

Há pouco tempo uma amiga muito querida me mandou uma mensagem dizendo que queria “dividir sentimentos comigo”. Ela tem filho da idade do Lucca, pediu demissão de uma posição de trabalho remoto (de casa) numa empresa multinacional e se mudou pros EUA para acompanhar o marido (conheço uma história parecida com essa…)

Ela começou assim: “Eu sei que parece muito contraditório. Aqui é lindo, o meu marido tem chegado bem mais cedo em casa, a minha filha está super bem adaptada na escola, moramos pertinho da praia, não tem trânsito, PORÉM… o dia parece render mais, a vida parece passar mais devagar e eu… estou sem rumo, até acho que estou ficando deprimida, tenho muito mais tempo para mim e não sei o que fazer com esse tempo…”.

Amiga, eu sei como você se sente. Eu também vivi isso quando sai do meu emprego e abri mão da minha carreira profissional. A gente gosta de trabalhar. Gosta mesmo. Não só pelo dinheiro. Mas pelo reconhecimento, pela satisfação pessoal, pela independência, pelo sentimento de empoderamento. Nesse quesito somos feministas, gostamos de ter asa para voar.

A realidade é que ser dona de casa é um trabalho mal-remunerado, que não tem reconhecimento nenhum, que NUNCA acaba e que qualquer pessoa pode fazer. Você não se sente especial por fazer isso. Às vezes o que você mais quer é ter alguém para fazer por você. Para se livrar daquela louça que enche a pia, lavar aquela montanha de roupas sujas, passar (gente, como detesto passar roupa!), exorcizar o banheiro, esfregar aquelas manchas nas golas das camisas, etc, etc!

Eu trabalhava muito menos fora de casa do que sendo mãe e dona de casa de tempo integral. E olha que eu trabalhava!

Amiga, a realidade é que o seu filho começa a se tornar independente e não necessita dos mesmos cuidados de um bebê e ele já vai até pra escola e agora você se sente meio perdida, meio sem rumo e às vezes até se imagina trabalhando novamente mas lembra de toda aquela loucura que o trabalho também traz e aquele sentimento de que está perdendo a infância do seu filho, e desiste.

Mas o que há de errado em ter mais tempo para você? Em viver um período sabático? Se conhecer melhor, relembrar o que há dentro de você que realmente te faz feliz. E garanto que não é só trabalhar, o que te faz feliz não é só ser promovida todos os anos. Vai fazer aquele curso que nunca teve tempo de fazer antes, assistir aquele seriado que todo mundo fala que é legal, vai se dedicar a aprender a tocar alguma coisa, vai lá dançar ballet, fazer algum trabalho voluntário, vai aprender a cozinhar pratos diferentes, conhecer pessoas diferentes, fazer novos amigos, vai planejar viagens com a sua família, conhecer todos os cantos dos EUA, etc! A vida tem infinitas possibilidades! Mesmo que você não consiga enxergar nesse momento, nesse dia que pode ser chato (nem todos os dias são só alegria). Quem sabe ao ter o SEU tempo, você vai começar a descobrir que realmente te faz completa é ver a sua família sendo bem-sucedida, ver o seu filho cantando no banheiro aquela música fofa da primária que você já repetiu 1 milhão de vezes e ele se recusou a cantar na sua frente, é ver o seu marido chegar do trabalho e sentir que realmente chegou no lar e não em um lugar para dormir e passar tempo, ver o seu casamento ser renovado em amor, confiança e respeito, ter aqueles momentos de qualidade em família que ficarão guardados para sempre na sua memória.

É certo que há situações em que exigem que a mãe tenha uma posição no mercado de trabalho para ajudar nas finanças da casa. Há mulheres que de fato depois de virarem mães nunca deixaram de ter sua carreira e conseguem balancear todas as funções. Há casos e casos.

Mas da minha experiência e no meu ponto de vista, a vida é muito mais que trabalhar num escritório (ou em casa) e ter uma carreira de sucesso.

Ser bem-sucedida como mãe é um projeto que leva a vida inteira e os resultados vem a longo prazo mas para esses resultados não há dinheiro e profissão no mundo que pague ou compense!

“A maternidade não é um passatempo, é um chamado. Não colecionamos filhos porque os achamos mais bonitinhos do que selos. Não é algo que fazemos se conseguirmos encontrar tempo para isso. É o motivo pelo qual Deus nos concede tempo”
Neil L. Andersen




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